The eternal fabric of kings and their humble artisan origin. / O eterno tecido dos reis e sua humilde origem artesanal.

Throughout history, linen has been the choice fabric amongst pharaohs, medieval royalty and the upper echelons of European society. Clearly, linen presents several attributes:
. Linen has high air permeability and heat conductivity properties – that means, it is a breathable fabric – in your clothes, it will make you warm in the winter and keep you cool in the summer.
. Linen bedding is twice as durable as cotton bedding and can last the decades. It is a strong fabric, and one of the few that are stronger wet than dry. The fibres do not stretch and are resistant to damage from abrasion.
. At the same time, high-quality linens are soft, smooth and have no impurities.

However, aristocracy link to this cloth is not only related to its quality but also to its high price. Manufacturing linen is a laborious and timely process, from harvesting to yarning. The fibre is inelastic and easy to break. Add geographical limitations of where the linen producing flax plant will grow and you have something that has been part of humankind for at least 5,000 years and despite all the complexity to be produced is still valued all over the world.

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One of the oldest ways mankind used to dress

It is not known when and where humanity began to use the fibers of linen to make fabric. There are vestiges of linen cloth in Egypt dating to about 5,000 BCE. In Portugal, not only of linen cloth but also of flax seed were found, dating to 2,000 and 2,500 BCE, respectively.

Like many other aspects of trade, the Roman domination and pax in the Iberian Peninsula truly developed the cultivation and the textile usage of flax . Throughout the Middle Ages, the production of linen and its economic importance increased, to the point that the payment of rent was often made with the linen produced.

In Portugal, there were flax producers all over the country, but some regions stood out, such as Guimarães, famous for the sophistication of their fabrics that were sold in Lisboa, Alentejo and Algarve.

A complex crop faces tough competition

It seemed that the rapid industrial development, that characterized the XIX century, the invention of linen mechanical spinning and the introduction of the first mechanical looms at the beginning of the XIX century would accelerate the production of flax. The opposite happened and finally the linen goes into decay with the generalization of cotton as the textile fiber for cheap and popular fabrics.

Flax is a herbaceous plant that reaches up to 1 meter in height and belongs to the family of lináceas. We can say that the plant does well in almost all climates. It consists of a fibrous substance, from which long fibers are extracted to produce the fabric. It also produces edible oil seeds as well as flour from it.

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In Portugal, there were 2 widely known flax varieties:

  1. Galician flax: the best lands were reserved for this type of flax and preferably those that could be watered easily. It is sown in April or early May and harvested in June. The production of this type of linen was more common in the districts of Viana, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real and Guarda.
  2. Moorish flax: This type of flax is not sensitive to the quality of the ground. The production of this type of linen was frequent in the districts south of the Tagus. It is sown in October / November and harvested in May.

“The spinning of the linen” (the linen cycle step-by-step):

1. Sown. The field of flax is called linhal or linhar. Several rules should be followed if flax crop owners wish to have good quality fiber.

2. Regular pruning.

3. Flax harvesting. Done manually at the root, in order to take advantage of the whole length of the stems, forming small tracts with the part of the whole seed on the same side. It begins when the stem is yellow-ripe, that is, when the lower third of the stem has turned yellow and it is perfectly round on the outside. At full maturation the seeds also reach full maturity. The seeds, what we call flaxseed, are removed.

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4. Immersed in a stream for 8 days; for being light, the linen is either buried in the sand of the stream or stones are placed on top of it so the water does not carry it.

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5. Drawn to from the stream and let dry for 2 days, extended in the field.

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6. Beaten (maçado) with a stick (maça); the fiber is beaten against a rock with a stick and the fibers are separated in groups (amaçadoiras).

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7. Beaten (tascado) with a stick (tascadoira); the fiber is beaten again with a different tool as below.

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8. Cleaned in a kind of iron brush: bast fibers are gone and the linen is left.

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9. Spinning with rock and spindle.

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10. Screwing (ensarilhar) the bundles in a sarilho; here 4 bundles are turned into 1 skein.

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11. The skeins go back to the stream and beaten for a long time against a rock.

12. The skeins are cooked with ashes. Afterwards they are kept for 2 days in a basket also with ashes.

13. They are washed in the stream’s running water.

14. Tanning on the field for 6 to 8 days. They must be watered and remain moist otherwise if they dry in the sun, they will have yellow spots.

15. It goes back to the pot with boiling water and ashes.

16. The linen is again washed in running water.

17. The skeins are dried by spreading them on slabs.

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18. The skeins are threaded.

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19. Each skein is folded, with the help of a dobadoira, becoming a yarn.

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20. Many skeins are wound in a string, like beads of a rosary.

21. The linen finally goes to the weaver to become a cloth.

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Thank you very much to the Casa da Lavoura de Várzea de Calde, Viseu for all the support during our visit. If you are near the beautiful city of Viseu, be sure to stop by the linen museum. It is a real journey in time.

All images belong to the linen museum, Casa da Lavoura de Várzea de Calde.

Source:  Museu Etnográfico Várzea de Calde

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Ao longo da história, o linho tem sido o tecido escolhido pelos os faraós, a realeza medieval e os altos escalões da sociedade européia. Claramente, o linho apresenta vários atributos:
. Tem alta permeabilidade ao ar e propriedades de condutividade térmica – ou seja, é um tecido respirável – em suas roupas, ele vai deixar você aquecido no inverno e mantê-lo fresco no verão.
. Roupa de cama de linho é 2 vezes mais durável do que a roupa de cama de algodão e pode durar décadas. É um tecido forte e um dos poucos que são mais fortes molhados do que secos. As fibras não se esticam e são resistentes a danos por abrasão.
. Ao mesmo tempo, o linho de alta qualidade é macio, suave e não tem impurezas.

No entanto, a ligação da aristocracia a este tecido não está apenas relacionada à sua qualidade, mas também ao seu alto preço. A fabricação de linho é um processo trabalhoso e longo, desde a colheita até a tecelagem. A fibra é inelástica e fácil de quebrar. Adicione limitações geográficas de onde a linhaça crescerá e você terá algo que faz parte da humanidade há pelo menos 5.000 anos e, apesar de toda a complexidade para ser produzido, ainda é valorizado em todo o mundo.

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Uma das maneiras mais antigas que a humanidade usava para se vestir

Não se sabe ao certo quando e onde a humanidade começou a utilizar as fibras do linho para confeccionar tecido. Há vestígios de tecido de linho no Egito que datam de cerca de 5.000 a.C.. Em Portugal, foram encontrados vestígios não só de tecido de linho, como também de sementes da planta de linho, que datam de 2.000 e 2.500 a.C., respectivamente.

Como vários outros aspectos do comércio, é com a dominação e a pax romana na Península Ibérica que o cultivo e o emprego têxtil do linho se desenvolveram verdadeiramente. Ao longo da Idade Média, a produção de linho e sua importância econômica aumentam, a ponto de o pagamento de rendas ser muitas vezes efetuado com o linho produzido.

Em Portugal, encontravam-se produtores de linho por todo o país, porém algumas regiões se destacavam, como por exemplo Guimarães, famosa pela delicadeza dos tecidos que abastecia o comércio da capital, Alentejo e Algarve.

Uma cultura complexa enfrenta uma dura concorrência

O aparecimento da fiação mecânica do linho e a introdução dos primeiros teares mecânicos, no início do séc. XIX, parecia que o rápido desenvolvimento industrial, que caracterizou o séc. XIX, iria acelerar a produção do linho. Ocorreu justamente o oposto e finalmente o linho entra em decadêncida com a generalização do algodão como fibra têxtil para tecidos correntes e baratos.

O linho é uma planta herbácea que chega a atingir um metro de altura e pertence à família das lináceas.  Podemos dizer que a planta se dá bem em quase todos os climas. Compõe-se de uma substância fibrosa, da qual se extraem as fibras longas para a fabricação de tecidos e de uma substância lenhosa. Também produz sementes oleaginosas comestíveis bem como a farinha oriunda dela.

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Em Portugal destaca-se a produção de 2 qualidades de linho:

  1. O linho galego: para este tipo de linho reservam-se os melhores terrenos, e preferentemente aqueles que podiam ser regados com facilidade. Semeia-se em abril ou primeiros dias de maio e colhe-se em junho. A produção deste tipo de linho era mais comum nos distritos de Viana, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real e Guarda.
  2. O linho mourisco: Este tipo de linho é pouco sensível à qualidade do terreno. A produção deste tipo de linho era frequente nos distritos a sul do Tejo. Semeia-se em outubro/novembro e colhe-se em maio.

“As voltas que o linho dá” (o ciclo do linho passo a passo):

1. Semeado. O campo de linho chama-se linhal ou linhar. Várias regras devem ser seguidas se os donos do linho desejam tê-lo com fibra de boa qualidade.

2. Mondado. Poda regular.

3. Arrincado (colheita do linho). A colheita é manual, arrancada pela raiz, a fim de se aproveitar todo o comprimento dos caules, formando-se mancheias (pequenos molhos) com a parte da semente toda para o mesmo lado. Inicia-se quando o talo está amarelo-maduro, isto é, quando o terço inferior do talo ficou amarelo e ele está perfeitamente redondo por fora. Na maturação total as sementes alcançam plena maturidade. Retira-se as sementes, o que chamamos de linhaça.

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4. Alagado na ribeira, durante 8 dias; por ser leve, o linho é enterrado na areia da ribeira para a água não o levar, ou então coloca-se pedras em cima.

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5. Tirado para se enxaguar. Enxugado durante 2 dias, estendido no campo.

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6. Maçado com uma maça ou pau; batem-no numa pedra e fazem-se uns molhinhos: amaçadoiras.

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7. Tascado, isto é, muito pisado até ficar em fios.

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8. Asseado num sedeiro de ferro: sai a estopa e fica o linho.

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9. Fiado com roca e fuso; a mulher que fia é a fiadeira.

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10. Ensarilhadas as maçarocas num sarilho; com quatro maçarocas faz-se uma meada no sarilho.

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11. As meadas são metidas no ribeiro e batidas muito bem numa pedra.

12. Cozidas – as meadas – numa caldeira  com cinza, para curtir o fiado. 2 dias ficam a curtir num cesto também com cinza.

13. Lavadas na ribeira em água corredia (pôr à cora).

14. Coradas no campo – 6 a 8 dias. Devem ser regadas e permanecer úmidas porque, se secarem ao sol, ficam com manchas amarelas.

15. Torna-se a metê-las numa barrela, isto é, com água fervendo e cinzas.

16. É o linho novamente lavado em água corredia.

17. Enxugam-se as meadas, estendendo-as em lajes.

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18. As meadas são encadeadas.

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19. Cada meada, ou elo da cadeia, vira-se tirando, com a ajuda de uma dobadoira, fazendo-se novelos.

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20. Enfiam-se muitos novelos num barbante, como contas de um rosário.

21. Vão para a tecedeira para tecer.

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Nosso muito obrigado à Casa de Lavoura de Várzea de Calde, Viseu por todo o apoio à nossa visita. Se estiver perto da linda cidade de Viseu, não deixe de dar um pulo no museu do linho. É uma verdadeira viagem no tempo.

Todas as imagens pertencem à Oficina do Linho.

Fonte:  Museu Etnográfico Várzea de Calde

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