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Lounge do Vinho a “nova” Expovins / Wine Lounge the “new” Expovinis

A partir deste ano, a ExpoVinis Brasil, que era considerada a principal feira do mercado de vinhos, destilados e acessórios da América Latina, não será mais realizada. Ela foi engolida pela Fispal Food Service – maior exposição do segmento de alimentação fora do lar do Brasil que acontece de 12 a 15 de junho, no Expo Center Norte, em São Paulo.

A Expovinis foi, provavelmente de modo muito adequado, renomeada Lounge do Vinho e segundo os organizadores “terá o objetivo de proporcionar aos empresários do setor as melhores opções de vinhos a serem comercializados em bares, restaurantes e pizzarias e que podem se tornar importante opção para complementar as vendas no cardápio e aumentar a margem de lucro dos estabelecimentos.”

Vamos lembrar que lounge é uma palavra em inglês, que pode significar sala de estar, sala de espera ou ante-sala. Um sala onde nada acontece. Um lounge bar, por sua vez, é um salão onde pessoas podem se encontrar, interagir de uma maneira relaxada e desfrutar de algumas bebidas. Parece muito com a Expovinis para esperar alguma mudança. Nem deveriam ter escolhido outro nome.

A Expovinis estava meio perdida, sem rumo certo, com pouca gente conseguindo realizar negócios e contactar os profissionais do setor, principais objetivos da feira. A maioria do público se comportava como numa feira destinada ao consumidor: perguntando pouco e bebendo muito. Até demais.

Parece razoável mover a Expovinis para uma feira maior e relacionada ao setor, mas neste caso, deveríamos falar sobra a APAS, a feira anual da Associção de Supermercados. Afinal é neste canal que ocorre a maior parte das vendas de vinho no Brasil. É onde se encontra as oportunidades de crescimento imediato. No entanto esta opção parece ter ficado fora do cardápio, pois as empresas organizadoras dos 2 eventos são diferentes e mais uma vez, o setor de vinho no Brasil, separado por interesses diferentes, incapaz de encontrar um denominador comum entre importadores e produtores nacionais, perderá oportunidades de crescimento que ficam como outras tantas, só nas promessas.

Tremenda furada.

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E a razão é simples: a venda de vinho em bares e restaurantes corresponde a menos de 25% no Brasil e até em vários países do mundo que têm uma tradição muito mais arraigada de consumir vinho durante as refeições. Isso ocorre porque os restaurantes cobram muito caro pelo vinho, tornado-o pouco atraente para o consumidor destes locais. E sem uma mudança radical destes empresários, é pouco provável que algo se modifique.

Muito importadores e produtores nacionais participaram de maneira expontânea na APAS, buscando obviamente a presença no principal canal de venda de vinhos e um público quase 2 vezes maior daquele que visita a Fispal. Porém isso aumenta custos de promoção, diminui o impacto e dilui resultados.

Segundo o site da Fispal, o consumo de vinho no Brasil aumentou 15,85% nos último três anos, o que qualquer profissional de marketing pode reconhecer como crescimento vegetativo, ou seja, junto com a população. Ainda conforme eles, até 2030, o Brasil será a quinta nação que mais consome vinho no mundo, o que também é um angulo “diferente” de interpretar os números, pois alguns dos grandes países do mundo (Rússia, China e Índia) possuem uma cultura e consumo de vinho ainda muito incipiente e com isso fica fácil ser o quinto no mundo, enquanto o consumo per capita, o que importa de verdade, segue ainda engatinhando em 1,8 litros há anos.

Acho melhor guardar o espumante e deixar a comemoração disso tudo para depois que tomarmos iniciativas estrategicamente melhor colocadas para um real desenvolvimento do vinho no Brasil.

 

Fonte:  Fispal Foodservice – Lounge do Vinho

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As of this year, ExpoVinis Brasil, which was considered the main Latin American wine fair will no longer be held. It was swallowed up by the Fispal Food Service – the largest exhibition of the foodservice segment in the country that will take place from June 12 to 15 at Expo Center Norte in São Paulo.

Expovinis was, probably very appropriately, renamed Wine Lounge and according to the organizers “will have the objective of providing the sector’s entrepreneurs with the best wine options to be marketed in bars, restaurants and pizzerias and that may become an important option for supplement the sales on the menu and increase the profit margin of the establishments. ”

Let’s remember that lounge is an English word, which can mean living room, waiting room or anteroom. A room where nothing happens. A lounge bar, in turn, is a lounge where people can meet, interact in a relaxed manner and enjoy a few drinks. It looks a lot like Expovinis to expect any kind of change.

Expovinis was a little off, no clear direction, attracting few people able to conduct business and contact the professionals of the sector, main objectives of the fair. Most of the public behaved like in a consumer fair: asking little and drinking a lot. More often that not, too much.

It seems reasonable to move Expovinis to a major sector-related fair, but in this case, we should talk about APAS, the annual trade fair of the Supermarket Association. After all, it is in this channel that most of the sales of wine in Brazil take place. It is where you find the opportunities for immediate growth. However, this option seems to have been left out of the menu because the organizers of the two events are different and once again the wine sector in Brazil, separated by different interests, unable to find a common denominator between importers and national producers, will lose growth opportunities that remain like so many others, only in the promises.

What a fail.

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And the reason is simple: the sale of wine in bars and restaurants corresponds to less than 25% in Brazil and even in several countries of the world that have a much more deeply rooted tradition of consuming wine during meals. This is because restaurants charge too much for the wine, making it unattractive to the consumer of these places. And without a radical change of these entrepreneurs, it is unlikely that something will change.

Many importers and national producers participated spontaneously in the APAS, obviously looking for presence in the main wine sales channel and a public almost two times bigger than the one that visits Fispal. However, this increases promotion costs, decreases impact and results.

According to Fispal’s website, wine consumption in Brazil increased by 15.85% in the last 3 years, which any marketer can recognize as population growth. Still according to them, by 2030, Brazil will be the 5th most consuming wine in the world, which is also a “different” angle of interpreting numbers, since some of the great countries of the world (Russia, China and India) have a culture and consumption of wine still very incipient and thus it is easy to be the 5th in the world, while consumption per capita, which really matters, has been crawling around a mere 1.8 liters for years.

I think it is better to keep the sparkling wine in the fridge and celebrate after we take initiatives strategically better placed for a real development of wine in Brazil.

 

Fonte:  Fispal Foodservice – Lounge do Vinho

Receita de Canelé Bordelais. E sim, tem tudo a ver com vinho.

Este docinho simples e simpático, típico da região vinhateira de Bordeaux, na França, seduz há séculos. Um pouquinho de história e a receita desta delícia estão bem aqui!

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A associação da canelé com o vinho é simples: os produtores de vinho adicionam claras de ovo ao mosto do vinho, num processo conhecido como clarificação, que retira o excesso de sedimentos do vinho e deixa-o mais suave. Há alternativas modernas ao processo, porém, as claras de ovos ainda são usadas por muitas vinícolas de pequeno porte.

Historicamente, as gemas de ovo oriundas deste processo viraram doces encantadores pelo mundo, e na França, mais especificamente em Bordeaux, foram utilizados para criar os primeiros canelés. Se você estiver em Bordeaux, as canelés são muito fáceis de achar e segundo o povo de lá mesmo, as da Baillardran são as melhores. Se não for o caso, segue a receita.

Nossa receita exige bem poucos ingredientes e eu acho até bem simples de fazer, para tanto sabor. Rende de 12 a 16 porções, dependendo do tamanho da sua forma.

2  detalhes importantes:
. As canelés devem ser preparadas de véspera.
. Deve-se usar a forma própria. Além da questão estética, eu notei que as que eu preparei nas formas de cupcake, ficaram parecidas com queijadinhas, murcharam mais e ficaram mais torradas e secas. A forma tradicional é de cobre, quase impossível de achar até na França. A minha, eu trouxe de lá, mas é de silicone. Ótima. Por aqui, eu já vi em boas casas do ramo.

Ingredientes:
. 1/2 litro de leite
. 2 ovos inteiros
. mais 2 gemas de ovo batidas
. 1/2 fava de baunilha ou 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
. 3 colheres de sopa de rum
. 1 xícara de farinha de trigo
. 1 xícara de açúcar mascavo
. 2 colheres de sopa de manteiga
. Manteiga para untar a forma
. Açúcar branco para polvilhar a forma

Instruções:
No dia anterior:
. Ferva o leite com a baunilha e a manteiga. Retire o fogo, deixe esfriar só um pouco.
. À parte, misture a farinha com o açúcar, em seguida, adicione os ovos e as gemas de ovo à essa mistura.
. Depois, despeje esta mistura no leite morno.
. Misture tudo suavemente para obter uma mistura fluída e suave, tipo massa de panqueca. E se achar que errou: não, não errou, a massa fica quase líquida.
. Deixe esfriar e adicione o rum. Pode não usar rum? Pode, mas não é igual e não esqueça que o álcool evapora no forno.
. Leve à geladeira por 24 horas a 48 horas no máximo, a fim de hidratar bem a farinha de trigo.
Para assar as canelés:
. Pré-aqueça o forno a 250ºC.
. Unte a forma própria com manteiga e, em seguida, polvilhe com um pouco de açúcar.
. Despeje a massa apenas até estarem 3/4 cheios – NÃO mais. Parece inacreditável, mas elas crescem no forno e se você encher demais vai ser um rolo.
. Apoie a forma de silicone numa assadeira, e leve ao forno em temperatura alta por 5 minutos, em seguida, baixe a temperatura para 175ºC e continue a cozinhar por 1 hora mais ou menos.
. Os canelés estarão prontos quando sua adorável e quase crocante cobertura estiverem com uma leve crosta marrom, e eles ainda estiverem úmidos, quase como um pudim, por dentro, mas sem soltar sedimentos quando espetados com palito.
. Desenforme com cuidado enquanto ainda mornos.

As minhas ficaram ótimas em relação ao sabor e textura, mas preciso fazê-las mais uniformes, pois as cores estavam muito diferentes e entender também porque murcharam tanto. Diz a lenda que é porque não usei ovos frescos. Onde achar ovos frescos em São Paulo é que é o desafio…

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Você pode servir as canelés com chá ou café, ou desfrutá-las numa versão mais ousada, com vinho do Porto ou conhaque. Aliás é ótima para servir em festas, você prepara na véspera e só põe no forno na hora que for adequada. Bon appetit!

2 histórias se cruzam por um instante e 4 séculos: Solar de Mateus e Mateus Rosé

Portugal tem muitas marcas de vinhos populares ao redor do mundo, por exemplo, Casal Mendes, Periquita, Calamares, Casal Garcia e o Mateus Rosé, para mencionar alguns. Curiosamente, o Mateus Rosé não é muito popular por aqui, porém foi a primeira marca portuguesa de vinho apreciada mundialmente, estando presente em 125 países, há várias décadas.

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A história do Mateus Rosé começa em 1942, quando Fernando Van Zeller Guedes, o fundador da gigante de vinhos portuguesa, Sogrape, criou um conceito distinto, apresentado numa garrafa inovadora. A garrafa foi inspirada nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. O tal vinho era diferente: cor-de-rosa, adocicado, refrescante e com uma efervescência ligeira. O rótulo foi uma homenagem ao grandioso património histórico português.

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Antiga garrafa de Mateus à venda no eBay.

O vinho especialmente concebido para os mercados norte-americano e do norte da Europa, cresceu rapidamente nas décadas de 1950 e 1960 e, no final da década de 80, junto com a versão de branco, representou quase 40% da exportação total de vinho de mesa de Portugal.

No início dos anos 70, Mateus Rosé era o vinho mais popular do mundo. A Rainha Elizabeth está até hoje entre suas fiéis consumidoras. Diz a lenda que a Rainha ficou insatisfeita com a selecção de vinhos oferecida em uma festa privada no Hotel Savoy em Londres no início dos anos 60 e pediu ao maitre que lhe trouxesse Mateus.

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Jimmy Hendrix curtindo um Mateus.

Hoje, o vinho perdeu um pouco de sua popularidade internacional, mas mesmo assim milhares  de estrangeiros (70% dos 80.000 visitantes anuais) buscam o edifício que corre o mundo no rótulo do Mateus Rosé. O Palácio ou Solar de Mateus está situado na freguesia de Mateus, concelho de Vila Real, Distrito de Vila Real e foi construído na primeira metade do século XVIII pelo 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão para substituir a casa da família, já existente no local, desde o início do século XVII.

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Um Solar para chamar de seu.

Segundo especialistas, a construção da casa, ou pelo menos de sua fachada central e decoração, é atribuída ao artista, decorador e arquiteto italiano Nicolau Nasoni (Toscana, 2 de Junho de 1691 – Porto, 30 de Agosto de 1773), considerado um dos mais significativos arquitetos da cidade do Porto durante o século XVIII.

A fachada do palácio se destaca pela dupla escadaria que conduz à porta principal, sobre a qual aparece o escudo familiar flanqueado por duas estátuas. No interior,  pode-se visitar uma biblioteca que abriga livros do século XVI, valiosos móveis, porcelanas e quadros e um pequeno museu onde se encontra 1 edição de “Os Lusíadas” de Luís de Camões, da qual só se produziram 200 exemplares. Parte da casa é fechada à visitação, pois ainda é habitada pela família.

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O palácio encontra-se rodeado por um lindo jardim cravado de belas estátuas. Chama a atenção, uma escultura de 1981, de João Cutileiro – Dorme no Lago. E muitas vinhas. Porém, o vinho rosado das garrafinhas bojudas não é feito aqui. O Palácio produz um vinho sim, mas o Porto Quinta da Costa das Aguaneiras. Exatamente, tudo que os 2 têm em comum é a fachada da mansão no rótulo mundialmente famoso e nada mais.

Em 1911, o Palácio de Mateus foi classificado como Monumento Nacional. Acima de tudo, a Casa de Mateus é hoje uma fundação privada, criada para proteger e divulgar o patrimônio histórico e fomentar a atividade cultural.

E mesmo que estas 2 histórias se cruzem por um momento muito mais breve do que eu poderia esperar, recomendo tanto a visita ao Palácio quanto uma boa garrafa de Mateus.

Fonte: Vinho Mateus Rosé e Casa de Mateus

Uva de vinho de garrafão ou não? Você sabe a diferença? / Do you the distinction between indigenous and wine grapes?

Se você é brasileiro e gosta de vinho, deve ter ouvido que existem Vitis Viníferas, ou seja, uvas próprias para se fazer vinho e Vitis Americanas, uvas impróprias para fazer vinho e que quando produzem vinhos, eles são muito criticados e chamados de vinhos “suaves”, “de mesa” ou “de garrafão”. A alegação é que estas são uvas de mesa, ou seja, uvas que servem apenas para serem consumidas ao natural e não para vinificação. Mas, por que?

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O vinho produzido nos países de qualquer das Américas podem ter sido elaborados com uvas viníferas ou com uvas americanas que possuem este nome justamente porque não existem , naturalmente, no continente Europeu. Porém, a maior parte dos vinhos produzidos em todo o continente provém das vinhas européias, as Vitis Viníferas. A origem das V. Viníferas têm suas raízes no antigo Cáucaso (hoje a região onde ficam a Geórgia, Armênia, Azerbaijão) – acredite, por lá já se fazia vinho há 7.000 anos mais ou menos – e incluem os vinhos mais populares do mundo: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, etc. Se quiser saber mais sobre este tema leia: Georgia, o berço do vinho.

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As uvas viníferas têm sido estudadas extensivamente. Elas são o que se pode chamar de elegantes e malvadas, pense O Diabo Veste Prada. Estas uvas são menores, têm sementes duras, suas peles são grossas e também oferecem maior conteúdo de suco vs. polpa. Além disso, elas são sensíveis, difíceis de transportar e quando você morde uma uva vinífera, ela se dissolve, deixando sementes amargas, resistentes e uma casca “chicletosa” na boca. Antipáticas…

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Uma doçura de Touriga Nacional.

O segredo delas é o seu alto teor de açúcar que deixa mãos e dedos pegajosos ao toque. As uvas viníferas, portanto, fazem vinhos melhores e se conservam muito mais tempo após a colheita. Assim, elas também têm uma maior variedade de sabores, que são mais delicados, mais ricos, com um aroma mais agradável, raramente ácido e nunca exalam o peculiar odor desagradável, rançoso e parecido com o aroma de cachorro molhado de muitas variedades americanas . O açúcar, ao fermentar, produz álcool e muitos compostos responsáveis pelos deliciosos aromas do vinho. Para sabe mais sobre aromas, você pode ler nossos artigos Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida? e também Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira?

Os vinhos e seus deliciosos aromas.

A pouca utilização das Vitis Americanas na vinificação não se deve à falta de matéria-prima, pois todo o continente americano sempre esteve coberto de videiras. Tanto que em 985, um viking chamado Bjarni Herjolfsson avistou a América, depois que seu navio foi desviado do curso no caminho da Islândia para a Groenlândia. E em 1001, Leif Ericsson, o filho de Eric, o Vermelho, navegou para o oeste para encontrar esta nova terra. Leif e seus homens foram os primeiros europeus conhecidos a ter desembarcado na América. Eles passaram o inverno em um lugar que eles chamaram de “Vinland” (Wineland), justamente pela abundância de videiras no local.

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Os rolezinhos dos Vikings.

A compreensão das uvas de vinho nativas da América não é lá essas coisas. Elas são muito diferentes das viníferas em termos de como e onde crescem, que compostos aromáticos produzem e das técnicas de vinificação especiais devem ser praticadas a fim de que produzam vinhos mais complexos. Infelizmente, por razões comerciais, há pouco incentivo para estudá-las. Das centenas de variedades nativas que foram identificadas nos últimos 200 anos, pouquíssimas estão em cultivo.

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Diversidade de belas e suculentas uvas de mesa.

O que se sabe é que as uvas de mesa são mais bonitas e suculentas, pois são cultivadas de forma a tornarem-se mais desejáveis para o consumo ao natural. As mais modernas não têm nem sementes, têm polpa mais espessa e pele mais fina para fazer aquele delicioso ‘pop’ quando você as saboreia. Aliás, as uvas sem sementes são obviamente mais fáceis de comer, mas saiba que são menos saborosas do que as antigas variedades de uvas de mesa, semeadas.

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Um vistoso cacho de uva Niágara.

Alguns consumidores de vinho de mesa se queixam de uma adstringência desagradável em alguns vinhos de Vitis Viníferas, especialmente nos monovarietais e de que outros não têm caráter de sabor definido.  As uvas americanas, por outro lado, são mais refrescantes e o seu suco não fermentado faz uma bebida deliciosa, carregada de propriedades benéficas à saúde (resvetrarol) sem o prejuízo do álcool.

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Os benefícios do vinho tinto estão igualmente presentes no suco de uva.

Sabe-se também que as uvas de mesa têm menos acidez e menos açúcar do que as uvas viníferas. As uvas de mesa padrão têm um nível Brix de 17-19, enquanto as uvas viníferas têm um nível mais perto de 24-26 Brix na colheita. Brix é a escala utilizada para medir a porcentagem de açúcar em um líquido, algo muito importante no processo de fermentação do suco de uva para vinho.

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Refratrômetro medindo nível de açúcar.

A poda das videiras de mesa e das viníferas é igualmente importante, pois menos uvas equivale a sabores mais concentrados, ou seja, é igual a melhor vinho. Uma videira excessivamente vigorosa vai produzir um montão de uvas de qualidade fraca. Uma videira de menor vigor produzirá menos uvas muito mais concentradas. Uma única  videira de uvas de mesa como a Cowart Muscadine (Vitis rotundifolia) pode produzir 7 -14 kg. Uma Zinfandel (Vitis vinifera) produz cerca de 4-6 kg de uvas por videira. Taí a razão porque o vinho de uva de mesa é bem mais barato.

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Vitis vinífera bem podadinha para concentrar aromas e sabores.

Os agrônomos tentam unir por hibridização o lado bom da Vitis Vinífera com melhor das Vitis Americanas, buscando variedades fortes, saborosas e aromáticas como por exemplo a Goethe, mencionada em Aposto que desta uva você nunca ouviu falar. No entanto, apesar dos esforços dos produtores, poucos destes híbridos têm valor comercial. Como a gente já viu, a natureza, até agora tem feito um trabalho melhor. Mas isto todo mundo sabe, né?

Fonte: The Domestication of American Grapes  by Professor U. P. HEDRICK e Table Grapes x Wine Grape


If you are Brazilian and you enjoy wine, you must have heard that there is a Vitis vinifera (wine grape), grapes suitable for making wine and a Vitis Americana (indigenous grapes), grapes unfit for winemaking.

Wines produced with indigenous grapes are much criticized and called “soft” or “table” wines. The claim is that these are table grapes, only used for consumption in natura and not for winemaking.
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Most of the wines produced in America come from wine grapes, Vitis Vinifera. The origin of V. Vinifera has its roots in the ancient Caucasus (where Georgia, Armenia, Azerbaijan are) – wine was produced in this region 7,000 years ago or more – and include the most popular wine grape varieties: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, etc. If you want to learn more about this, read: Georgia, the cradle of wine.
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Wine grapes have been thoroughly investigated. They are what you can call elegant and evil, think The Devil Wears Prada. These grapes are smaller, have hard seeds, their skins are thick and offer higher content of juice. In addition, they are sensitive, difficult to transport and when you bite a grape, it dissolves, leaving bitter, hardy seeds and a “chewing” ladle in the mouth.
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Their secret is a high sugar content that leaves hands and fingers sticky to the touch. Fermented sugar produces alcohol and many compounds responsible for the delicious aromas of a wine.
Wine grapes produce better wines and last for much longer after harvest. They have a greater variety of flavours, more delicate, richer, with a pleasant, acidic aroma. Rarely or never smelling unpleasantly like mould or a wet dog as many indigenous grape varieties do. To learn more about aromas, you can read our articles: You knew alcohol affects a lot, but do you realize how it changes the feel of your drink? And still Why wine has the aroma of pineapple, cinnamon or wood?
The little use of American Vitis in the production of wine is not due to the lack of raw material because the whole American continent was always covered with vines. So much so that in 985, a Viking named Bjarni Herjolfsson sighted America, after his ship was diverted from the course on the way from Iceland to Greenland. In 1001, Leif Ericsson, the son of Eric the Red, sailed west to find this new land. Leif and his men were the first known Europeans to land in America. They spent the winter in a place they called “Vinland” (Wineland), precisely because of the abundance of vines.
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Research on indigenous grapes native to America is not particularly developed. They are noticeably different from wine grapes in how and where they grow, what aromatic compounds they produce, and special winemaking techniques practised to produce more complex wines.  Unfortunately, for commercial reasons, there is little incentive to study them. Few of the hundreds of native varieties that have been identified in the last 200 years are grown.
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The diversity of exquisite and juicy table grapes.
Table grapes are graceful and juicy because they are grown to become desirable for natural consumption. Modern ones have no seeds, thicker flesh and thinner skin to make that delicious ‘pop’ when you eat them. For the rest, seedless grapes are obviously easier to eat but are less palatable than the old varieties of seeded table grapes.
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A colourful bunch of Niagara Grape.
Indigenous grape wine consumers complain of an unpleasant astringency in Vitis Vinifera wines, especially in monovarietals, and that others do not show a definite flavor quality.  Indigenous American grapes, on the other hand, are more refreshing and their unfermented juice makes a delicious drink, loaded with health valuable properties (resvetrarol) without the alcohol.
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The benefits of red wine are present in grape juice.
It is known American native grapes are less acid and less sugary than wine grapes. The standard indigenous grape presents a Brix level of 17-19, while the wine grape is closer to 24-26 Brix in the harvest. Brix is the scale used to measure the percentage of sugar in a liquid, essential in the fermentation process of wine grape juice.
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Refractometer measuring sugar level.
The pruning of native vines and grapes is equally important, as fewer grapes are equivalent to more concentrated flavours, to better wine. An overly vigorous vine will produce a heap of grapes of poor quality. A less vigorous vine will produce less concentrated grapes. A single native grapevine such as the Cowart Muscadine (Vitis rotundifolia) can produce 7 -14 kg. A Zinfandel (Vitis vinifera) produces around 4-6 kg of grapes per vine. That’s why table grape wine is much cheaper.
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Vitis vinifera well trimmed to concentrate aromas and flavours.
Agronomists try to hybridize the good side of Vitis Vinífera with the best of Vitis Americana, searching for strong, tasty and aromatic varieties such as Goethe, mentioned in I bet you never listened of this grape. However, despite the efforts of producers, few of these hybrids are of commercial value. As we saw, nature so far has done a better job. But everybody knows that, right?
Source:  The Domestication of American Grapes  by Professor U. P. HEDRICK e Table Grapes x Wine Grape

Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira? Alguém colocou tudo isto lá? Descubra aqui o segredo para esta pergunta que não quer calar.

Existem bem mais de 100 compostos aromáticos individuais no vinho que interagem uns com os outros para criar milhares de aromas potenciais. Ainda assim, apesar do que você possa ter ouvido, não importa se você é um super provador ou aquele tipo de cara que gira a taça e cheira em desespero sem sentir absolutamente nada, quase todo mundo pode melhorar o seu olfato, aprendendo a identificar diferentes aromas no vinho. Isso soa complicado, mas se resume simplesmente a praticar e prestar muita atenção – e é claro que anotar umas dicas do Master Sommelier Matt Stamp, não vai fazer mal para ninguém.

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Aroma pra caramba!

Se você já detectou aromas distintos no vinho, provavelmente você está a caminho de aprender a identificar diferentes classes de aromas. Por exemplo, você pode ter encontrado uma nota de pimentão verde, grama recém cortada ou até mesmo cheiro de gasolina. Por mais complexa que seja a ciência dos aromas, existem algumas classes  de compostos muito conhecidos, referidos como compostos de impacto, que são prevalentes em certos vinhos. Estes compostos de impacto são como indicadores muito relevantes, apontando para um varietal e não outro, o que significa que aprender a identificá-los pode desbloquear habilidades sobrenaturais de degustação tipo o Masters da vida. Da próxima vez que você provar um vinho, tente identificar o seguinte:

1.Pirazinas (metoxipirazina)
Aromas de pimentão, grama cortada fresca, pimentão verde, aspargos, ervilha e terra.
Vinhos: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Carménère, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.
As pirazinas são mais associadas com variedades de Bordeaux. Em vinhos tintos, é muitas vezes um toque mais difícil de sentir e às vezes pode ser associada com aroma de chocolate amargo. A maioria dos enófilos adoram estes aromas nos seus brancos, mas o tomam com reserva nos tintos. Curiosamente, à medida que os vinhos tintos envelhecem, a pirazina modifica-se, revelando cereja e chocolate.
Existem 3 metoxipirazinas primárias que contribuem com aromas “vegetais”:
. 2-metoxi-3-isobutil-pirazina (IBMP) = aromas de pimentão, terra, grama e herbáceos;
. 2-metoxi-3-isopropilpirazina (IPMP) = aromas de aspargos, ervilhas e terra;
. 2-metoxi-3-alquilpirazina = aromas de noz e defumados.

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2. Monoterpeno
Aromas de rosas, flores, frutas doces, mexerica, coentro e especiarias doces.
Vinhos: Gewürztraminer, Viognier, Riesling, Albariño, Muscat Blanc e Torrontés.
Os monoterpenos mais pronunciados incluem os compostos de Linalol, Geraniol e Nerol. Estes são os mesmos compostos aromáticos utilizados para criar perfumes, sabonetes e xampus com aromas doces por isso não é nenhuma surpresa que algumas pessoas possam descrever estes vinhos como tendo um cheiro de sabonete. O que é interessante sobre estes aromas é que ao contrário dos outros compostos, você pode senti-los nas frutas, ou seja, eles independem da vinificação.

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3. Sotolona
Aromas de curry, xarope de bordo (o famoso maple syrup), feno-grego, nozes e melaço.
Vinhos: oxidados como Madeira, Vin Jaune, Jerez, Sauternes e alguns tintos ou Chardonnays bem antigos.
Este é o principal composto de sabor encontrado no feno-grego. No vinho, provém da oxidação e é mais prevalente em vinhos fortificados como o Jerez e o Madeira. Você também pode prová-lo se você envelhecer um vinho branco por cerca de 7 a 10 anos, este aroma é intrigante e fundamental para identificar vinhos antigos.

 

Maple Syrup: aproveite para provar fora do Brasil. Taí um aroma difícil para nós. Feno-grego é mais fácil de encontrar. Vire um rato de feiras, supermercados e floriculturas.

4. Rotundona
Aromas de pimenta preta, manjerona, couro, cacau em pó e ervas.
Vinhos: Syrah ou Shiraz, Grenache, Zinfandel, Petite Sirah, Grüner Veltliner e Mourvèdre.
Este composto é o ingrediente chave nas pimentas preta e branca e é cerca de 10.000 vezes menos prevalente no vinho. Ainda assim, a sensibilidade humana a este composto é muito elevada, por isso desempenha um papel importante nos perfis de sabor dos vinhos que o contêm.

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5. Compostos de Enxofre
Podem ser o segredo da super discutida origem da mineralidade no vinho.
Vinhos: Chablis e Champagne
Alguns compostos de enxofre têm notas fantásticas, como o aroma de giz num excelente Chablis. Outros são bem ruins, como cheiro de lã molhada,  considerado uma falha no vinho causada pela exposição à luz solar.

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6. TDN (1,1,6, -trimetil-1,2-di-hidronaftaleno)
Aromas de querosene, petróleo e diesel.
Vinhos: possivelmente em Sauvignon Blanc e Chardonnay, mas é mais perceptível (e amado) no Riesling.
Este aroma é um dos poucos compostos que quase inexistem em uvas ao natural e se desenvolvem nos vinhos à medida que envelhecem. Os vinhos com notas mais pronunciadas de gasolina vêm de vinhedos mais quentes porque este composto se desenvolve com uvas expostas à forte luz solar.

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7. Diacetil
Aromas de manteiga e creme de leite.
Vinhos que sofreram fermentação maloláctica.
Este composto é muito mais pronunciado em vinhos brancos, mas acrescenta um aspecto muitas vezes descrito como cremoso ou aveludado ao vinho tinto. O diacetil se origina no processo de pós-fermentação chamada fermentação maloláctica que envolve bactérias que consomem o ácido málico e o transformam em ácido láctico. O resultado é um vinho incrível com aroma e textura cremosos e amanteigados . Pouquíssimos vinhos brancos passam por este processo é esta uma das principais razões para que tenham um sabor muito diferente dos vinhos tintos.

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Creme e manteiga. Uma delícia fora e nos vinhos.

Além da maravilha que o vinho como ser vivo representa, através de sua riqueza de compostos, fermentação e envelhecimento, teoriza-se que a videira desenvolveu estes compostos de aroma como um avanço evolutivo para atrair insetos e animais para auxiliar na polinização e dispersão de sementes. Não vamos desapontá-las, não é mesmo?

Créditos fotos: internet.

Fonte: a sempre brilhante http://winefolly.com/tutorial/impact-compound-aromas/

Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida? / You already knew that alcohol affects a lot of things, but do you know how it changes the taste of your drink?

Você já reparou que ao adicionar água ao uísque, que reduz sua porcentagem de álcool, se revelam novos e sutis sabores? Ou que uma taça de vinho tinto tem menos sabor frutado do que suco de uva sem álcool? 

Já que nosso assunto principal é vinho, comecemos por inalar profundamente o vinho que está na sua taça para compreender este processo. Você pode descrever os aromas que detecta? Frutas secas, frutas frescas, flores, grama, madeira e/ou especiarias? Esqueça os caríssimos kits atopetados de aromas artificiais tipo morango de xarope ou cereja de balinha. Ou vice-versa. Uma boa maneira de treinar seu cérebro e aumentar a sua memória olfativa é treinar em feiras, jardins, floricultura e lojinhas de temperos.

 

 

 

 

Esta lojinha de temperos pode ser um banquete de aromas.

Graças ao nosso sentido do olfato,  podemos detectar até 10.000 odores diferentes, embora não possamos identificar todos eles. Isto acontece por causa do “limite de detecção” que é a concentração mínima de um aroma que deve estar presente para que possamos percebê-lo. Agora, atenção que isto é importante:

  1. Os aromas, também chamados de cheiros, odores e fragrâncias, consistem em uma ou mais moléculas de aroma. Os aromas são voláteis e atingem o nosso olfato através do intervalo entre os mesmos, ou seja, o espaço aéreo diretamente acima da superfície do líquido que vai eventualmente terminar nas nossas narinas.

2. Nós percebemos os aromas através do nariz (oronasal), bem como através da boca (retronasal). Cada vez que engolimos, a língua detecta os sabores (esse é outro papo) e os aromas sobem através pela parte traseira de nossa garganta e pela passagem nasal. Isto explica porque degustamos vinho usando uma técnica um tanto bizarra – fazendo ruído para movimentar e sacudir e arejar o vinho (e portanto, os aromas). Desta forma, não há necessidade de engolir o álcool, mas pode-se detectar melhor as moléculas de aromas voláteis do vinho.

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3. Muitos fatores influenciam os odores que podemos detectar durante uma degustação, inclusive o mecanismo de deglutição e o cérebro, porém o importante aqui é que cada molécula de aroma se comporta de forma diferente em distintos solventes, dependendo de suas propriedades físicas. As moléculas de aroma hidrofóbicas são adversas à água. Elas tendem a fugir quando cercadas por moléculas de água, subindo para o tal intervalo, onde é mais fácil serem detectadas pelo nosso olfato.

4. Por outro lado, as moléculas de aroma hidrofílico têm afinidade com moléculas de água e preferem permanecer em líquidos. O álcool (etanol) tem propriedades parcialmente hidrofóbicas. Isto explica porque as moléculas hidrofóbicas dos aromas encontrados em bebidas alcoólicas ainda permanecem em seu vinho apesar da presença do álcool.

5. A proporção de líquidos – água x álcool – determina quais aromas são mais fáceis de detectar do que outros: quanto mais álcool houver em sua bebida, os aromas mais hidrofílicos escaparão para o intervalo. Por outro lado, quanto maior o volume de água, mais aromas hidrofóbicos você terá escapando do líquido e se movendo para o intervalo.

Aqui vemos o Prof. Pedro detectando aromas no tal intervalo.

Na sua próxima degustação você pode ter certeza que o prazer da riqueza de aromas percebidos é devido também a este equilíbrio muito delicado de água x álcool. Graças à presença dele, conseguimos apreciar os sabores sutis dos nossos vinhos e bebidas alcoólicas favoritas e especialmente harmonizá-los com a comida!

 

 

 

 

 

Deguste os mesmos pratos com um vinho branco ou rosé (normalmente menos alcoólico) e com um tinto (tradicionalmente mais alcoólico) e tire suas próprias conclusões.

Fonte: O álcool e os aromas no vinho de Bernard Lahousse


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Have you ever noticed that adding water to whiskey, which reduces alcohol percentage, reveals new and subtle flavours? Or that a glass of red wine has less fruity flavour than grape juice without any alcohol?

Since our main subject is wine, let us begin by inhaling deeply the wine which is in our glass to understand this process. Can you describe any aromas? Dried fruits, fresh fruits, flowers, grass, wood and/or spices? Forget about the expensive kits with artificial aromas of strawberry syrup or baloney cherry. A good way to train your brain and increase your olfactory memory is to train at fairs, gardens, flower and spice shops.

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This spice shop can be a feast of aromas.

Thanks to our sense of smell, we can detect up to 10,000 different odours, although we can not identify all of them. This is because of the “limit of detection” which is the minimum concentration of an aroma that must be present before we can perceive it. Now, note that this is important:

1. The aromas, also called scents, odours and fragrances, comprise one or more aroma molecules. The aromas are volatile and reach our nostrils through the gap between them. It is the airspace directly above the surface of the liquid that will eventually end up in our nostrils.

2. We perceive the aromas through our nose (oronasal) and through our mouth (retronasal). Each time we swallow, our tongue detects flavours (this is another different post) and the aromas rise through the back of our throat and through the nasal passage. This explains why we taste wine using a rather bizarre technique – making noise to move, shake and aerate wine (and therefore the aromas). In this way, there is no need to swallow alcohol, but one can better detect the molecules of volatile wine aromas.

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3. Many factors influence odours we can detect during a tasting, including the swallowing mechanism and the brain, but the important thing here is that each aroma molecule behaves differently in different solvents, depending on its physical properties. Hydrophobic aroma molecules are averse to water. They flee when surrounded by water molecules, rising to such an interval where it is easier to be detected by our sense of smell.

4. On the other hand, hydrophilic flavour molecules have an affinity with water molecules and prefer to remain in liquids. Alcohol (ethanol) has partially hydrophobic properties. This explains why the hydrophobic molecules of the aromas found in alcoholic beverages remain in wine despite the alcohol.
5. The ratio of liquids – water to alcohol – determines which scents are easier to detect than others: the more alcohol in your drink, the more hydrophilic aromas will escape into the range. The higher the volume of water, the more hydrophobic scents you will have escaping from the liquid and moving into the range.

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Here we see Prof. Pedro detecting scents in such a range.

In your next tasting, notice the pleasure of the richness of perceived aromas is also due to this delicate balance of water vs. alcohol. Thanks to their presence, we have been able to enjoy the subtle flavours of our favourite wines and spirits and especially harmonize them with food!

Try the same dishes with a white or a rosé wine (usually less alcoholic) and a red wine (traditionally more alcoholic) and draw your own conclusions.

Source: Alcohol and aromas in the wine of Bernard Lahousse

Aposto que desta uva você nunca ouviu falar.

A uva Goethe, também chamada de Rogers 1, é uma híbrida, ou seja, uma uva criada pela mistura com outras. No caso da Goethe, ela foi criada por um cientista americano, E. S. Rogers, e faz parte de um grupo de 45 variedades criadas por ele, em meados do séc. XIX em Massachusetts. O conjunto delas foi chamado de Roger’s Hybrids e em 1862 já aparecia em catálogos de plantas. Ela apareceu no Brasil a partir de 1877 durante colonização italiana. Ou seja, não é exatamente uma novidade. Novidade é o sucesso que ela vem fazendo no sul de Santa Catarina.
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A Goethe é a soma por polinização de 13% de Vitis Labrusca (uvas de mesa, não viníferas ou também chamadas americanas), no caso, a variedade Carter com 87% de 2 uvas viníferas (uvas europeias próprias para a elaboração de vinhos), neste caso as variedades Moscatel de Hamburgo e Chasellas branca.

A Moscatel de Hamburgo é muito aromática, agradável e dá vinhos bem frescos e frutados. A Chasellas é uma das principais variedades suíças (da denominação de origem Valais) e da região fronteiriça francesa que resulta em brancos com boa acidez, vinhos ótimos para fondue, por exemplo. E quando a gente fala de uvas brancas com boa acidez, logo lembramos de espumante, como este produzido com a Goethe.

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Esta uva se adaptou bem às condições climáticas e aos solos da região de Urussanga, no sul de Santa Catarina e foi amplamente difundida entre os colonos da região. O cultivo da uva Goethe é raro por que sua acidez limita um pouco sua utilização enológica e além disso ela pode ser sensível sob certas circunstâncias climáticas. Porém, o entusiasmo econômico gerado pela casta, nesta região foi tanto que o selo de indicação geográfica de procedência Vale das Uvas Goethe foi conquistado em 2011 e implatado em 2013.

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O calcanhar de Aquiles de todo este sucesso é a utilização da uva americana Carter na formação da Goethe. Os híbridos são, por exemplo, proibidos na Europa e vêm sendo extirpados de várias partes do mundo, porque produzem aqueles vinhos com gostinho de vinho de garrafão. Aqui no Brasil, as uvas americanas ou de mesa são parte da cultura vitivinícola do país e bem aceitos pela maioria dos consumidores brasileiros.

E você, já parou para pensar na uva que compõe o seu vinho?

Fontes:  Vales da Uva GoetheProgoethe

1 drink fácil e refrescante para os amantes de vinho ou de cerveja

O calor está batendo forte em todo o país e para quem já cansou de cerveja ou mesmo de vinho (acho que nem é possível, né?) para combater o calorzão, temos uma sugestão muito refrescante do Prof. Pedro Cardoso com ingredientes fáceis e preparo rápido.

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Ingredientes:

  • 40 ml de Chartreuse verde ou amarelo. O Chartreuse é um licor francês à base de ervas com uma fórmula antiga e secreta… Lembre-se, você não precisa comprar uma garrafa, pode levar sua embalagem e pedir a um bom restaurante, padaria ou bar para lhe vender a quantidade que precisa!
  • 100 ml de suco de limão siciliano
  • 40 ml de suco de laranja
  • Vinho Moscatel (vinho da uva Moscatel, mais adocicado) ou Witbier (tradicionalmente produzida na Bélgica, significa “cerveja branca” devido à sua aparência clara e turva. Produzida com maltes de trigo e de cevada e seu sabor traz a refrescância cítrica da laranja)
  • Gelo

Instruções:

  • Bata o gelo no liquidificador para deixá-lo picado como numa raspadinha e junte os sucos de limão siciliano e de laranja até ter o sabor e a consistência de um sorbet, tipo um picolé moído.
  • Coloque o sorbet num copo longo ou numa taça balon como a da foto.
  • Acrescente o Chartreuse.
  • Complete com o Moscatel ou com a Witbier.

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Viu como ele é versátil? Saúde.

5 receitas de coquetéis com vinho para você fazer com o que tem em casa!

Abaixo você encontra 5 receitas bem simples para variar a maneira de servir seu vinho com ingredientes que você deve ter em casa. Se mesmo assim você achar muita coisa, tente colocar um picolé da sua fruta favorita na taça de espumante para um drinque super refrescante ou uma bola de sorvete com espumante por cima para um drinque diferente. Dependendo da quantidade de sorvete e creme, você pode preparar um drinque (mais espumante) ou uma sobremesa (mais sorvete).

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Por favor, não use o vinho super top que você ganhou no Natal para preparar estas receitas, mas também não use o vinho mais barato do mercadinho da esquina. O ideal é um vinho econômico, porém decente.

Velho cubano – Robert Simonson
Porção: 1
INGREDIENTES
22,5 ml de suco de limão fresco
30 ml de xarope simples (açúcar e água, no ponto de calda rala)
6 folhas de hortelã inteira
45 ml de rum
2 pitadas de Angostura
60ml de espumante
INSTRUÇÕES
Misture o suco de limão, o xarope e a hortelã em uma coqueteleira ou num copo grande.
Adicione o rum, o bitter, gelo a gosto e agite bem.
Despeje num copo de coquetel e complete com o espumante.

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Coquetel de espumante
Porção: 1
INGREDIENTES
1 cubo de açúcar ou 1 colher de sopa de açúcar
3 pitadas de Angostura
Espumante
Decoração: casca de limão longa e encaracolada
INSTRUÇÕES
Coloque o açúcar numa taça de espumante longa. Despeje a Angostura sobre o açúcar.
Lentamente complete com espumante.
Decore com uma casca comprida e encaracolada de limão.

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Espumante Julep
Porção: 1
INGREDIENTES
15 ml de conhaque
90 ml de espumante seco
1 cubo de açúcar
1 gota Angostura
6-7 folhas de hortelã
Decoração: folhas de hortelã e casca de limão
INSTRUÇÕES
Em uma taça, adicione folhas de hortelã e o açúcar. Pressione suavemente as folhas de hortelã para liberar os aromas.
Adicione o conhaque, o espumante, a Angostura, gelo esmagado a gosto e agite delicadamente.
Decore com a de hortelã e a casca de limão.

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Slush de vinho com frutas vermelhas – Becky Hardin
Porção: 1
INGREDIENTES
36 ml de suco de frutas vermelhas
75 de vinho tinto
24 ml de ginger ale
açúcar (opcional)
INSTRUÇÕES
Coloque todos os ingredientes numa coqueteleira.
Misture bem.
Coloque gelo picado a gosto numa taça e complete com a bebida

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Vinho no Melão
Parece estranha, mas é perfeita (e sustentável) para ser levada à praia.
INGREDIENTES
1 melão
1 garrafa de vinho branco seco
INSTRUÇÕES
Corte a parte de cima do melão com cuidado para fazer um tipo de tampa.
Retire as sementes e encha  a fruta com vinho. Sirva depois de bem fresco.
Não esqueça que no dia seguinte, o melão pode ser uma ótima pedida para a sobremesa.

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Saúde e uma ótima passagem de ano.

O primeiro vinho cult do mundo, um escravo rebelde e nossa última história de 2016.

Quem acompanha a gente no Instagram, deve ter notado o nosso interesse pela série Spartacus. Spartacus foi um trácio (a Trácia ficava mais ou menos onde hoje é a Turquia) e de aliado dos romanos ele rapidamente se transformou em escravo deles, gladiador e líder da maior revolta de escravos durante o Império Romano (mais ou menos no ano 73 a.C.).

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A série, que eu assisti no Netflix,  é muito interessante para quem gosta de história, pois mostra vários elementos da vida romana na época. Um deles, é claro, é o vinho. Todo mundo sabe que os gregos trouxeram as videiras para a Itália e gostaram tanto do vinho resultante que chamaram esta terra de Enotria (terra das vinhas). Não demorou para que os romanos também adorassem seu vinho e o consumissem frequentemente.

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Os romanos achavam que deviam “popularizar” o consumo de vinho. Por isso, incentivavam o populacho a consumi-lo. Por exemplo, os escravos bebiam a  lora, feita com a imersão do mosto das uvas prensadas 2 vezes em água por um dia e então prensada uma terceira vez. O exército romano bebia a posca, uma mistura de água e um vinho quase tão ácido como o vinagre que fazia parte de sua ração, já que possuía níveis de álcool mais baixos. Não era à toa que o vinho era misturado à água do mar, mel, especiarias e ervas. O vinho do povão era feito com uvas tintas, pois a nobreza romana bebia vinho branco. E adorava o vinho de Falerno.

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O vinho de Falerno era produzido com uvas Aglianico (e possivelmente Greco também ) nas colinas do Monte Falernus, perto da fronteira do Lácio e da Campânia, onde se tornou o vinho mais famoso produzido na Roma antiga. Considerado o primeiro “vinho cult”, foi frequentemente mencionado na literatura romana, mas desde então desapareceu. Havia 3 vinhedos (ou denominações) reconhecidos pelos romanos: Caucinian Falernian das vinhas nas encostas mais altas do Monte Falernus; Faustian Falernian, o mais famoso, da terra nas inclinações centrais que correspondem às áreas montanhosas atuais da cidade de Falciano del Massico e Carinola di Casanova, propriedade de Fausto, filho do ditador romano Sila.

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O Falerno era um vinho branco com um índice relativamente alto do álcool, possivelmente  15%, por isso frequentemente pegava fogo se aproximada à chama de uma vela. O vinho era produzido a partir de uvas colhidas tardiamente após um breve congelamento ou uma série de geadas, era envelhecido por 15 a 20 anos em ânforas de argila e por isso possuía uma cor âmbar quase castanho escuro. Havia 3 variedades: Seco (Latino austerum), doce (Dulce) e leve (Tenue).

A qualidade e preço diferente para os vinhos romanos fica clara nesta antiga inscrição encontrada numa parede em ruínas de um bar em Pompéia.

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Invicto Castrense que seus 3 deuses sejam favoráveis e assim também seja para o leitor.

Viva Edoné! Boa saúde para o leitor.

Edoné diz:

Aqui você bebe por 1. Mas se você me der 2, você vai beber vinhos melhores e se você me der 4, eu vou fazer você beber um Falerno.

Vida longa a Castrense.

Exatamente, para os romanos, o vinho nobre era o branco. Muita gente tem reservas com este tipo de vinho, mas eu proponho que em nosso verão de 42 graus, você se abra e prove o vinho branco, seja o tranquilo, o espumante e inclusive o vinho verde português. Atreva-se a combiná-lo com nosso pratos de fim de ano: salmão, bacalhau, pernil, peru e claro o nosso tradicional churrasco do dia 1º. Tudo depende do grau de doçura e açúcar para combinar bem.

Provavelmente este será nosso último post em 2016, já que estamos na praia curtindo a preguiça de final de ano. Um maravilhoso 2017 com mais histórias e vinhos!

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