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Vai estar no norte de Portugal neste fim de semana 01 e 02.06? Então não perca…/Will you be in the north of Portugal this weekend 01 and 02.06? So do not miss …

O evento ‘Beijo sem Fim’, baseado na Lenda do Beijo Eterno na romântica aldeia histórica de Sortelha. Sortelha está a 2:30 de carro da cidade do Porto.

Diz a lenda que, certa noite, uma hoste de mouros cercou a fortaleza de Sortelha, para recuperar aquele ponto estratégico. No castelo, encontravam-se o alcaide, que resistia com os seus homens de armas, a mulher do alcaide, que diziam ser uma feiticeira, bem como sua filha, uma donzela formosa, que não queria saber nada de feitiços nem de guerras.

O cerco já durava muito tempo e a garota matava o tempo pelas as muralhas da fortaleza. No seu quarto apenas tinha a companhia de um gato. Para se distrair, ía até à varanda, nas muralhas, pois dali via os mouros.

 

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As muralhas da paquera.

 

Um dia, despertou-lhe a atenção certo cavaleiro. Era o jovem comandante das tropas mouras. Um jovem guerreiro de porte nobre, altivo e belo.
“Que lindo!”, pensou ela, seguindo-o com os olhos.
Ele também a viu e a beleza da jovem cristã capturou a atenção do guerreiro mouro.
“Que Linda!”, pensou ele, tentando ver entre as muralhas.

 

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Não sei como dava para ver alguem desta distância….

 

A partir daquele momento, nem um nem o outro deixou de pensar em encontrar-se, ainda que fosse uma só vez na vida. O mouro conseguiu que alguns dos seus homens mandassem cestos até o topo das muralhas com mensagens e presentes para a bela moça. E esta, por sua vez, enviava algo para que ele soubesse que era correspondido.

No desespero de encontrar-se com a donzela, o guerreiro mouro arquitetou um plano: prometeu a liberdade a um prisioneiro cristão, dando-lhe uma recheada bolsa com moedas de ouro, com a seguinte condição: “Falarás a sós com a donzela e abrir-lhe-ás a porta.” O ex-refém assim fez e ela, aproveitando a escuridão, saiu do castelo.

 

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E por aqui escapou a donzela fujona.

 

Mas a mãe da jovem percebeu que algo se passava e procurando pela filha, viu que os amantes estavam junto às muralhas e se beijavam. Tomada pela raiva, lançou um feitiço: “Malditos ! Eu vos amaldiçoo e vos transformo em pedra !”

Assim, os dois, conforme estavam abraçados, lábios com lábios, ficaram petrificados. E assim permaneceram, para sempre, num beijo eterno ao luar das muralhas de Sortelha.

Pois assim, partindo da tema romantismo, serão revisitadas as tradições de namoro e casamento, sob a forma de visitas encenadas e exposição fotográfica.

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Além disso, haverá refeições comunitárias (jantar de sexta-feira e piquenique de sábado) e experiências orientadas cuja partic´pação está sujeita a inscrição prévia obrigatória através do telefone: 271 750 080 (Museu do Sabugal) ou email: visit@cm-sabugal.pt. Limitadas ao número de vagas existentes.

Este evento é promovido pela Associação de Desenvolvimento Turístico Aldeias Históricas de Portugal, numa organização do Município do Sabugal, Junta de Freguesia de Sortelha, Associações e Agentes económicos locais.

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Programa

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The event ‘Beijo sem Fim’, based on the Legend of the Eternal Kiss in the romantic historic village of Sortelha. Sortelha is 2:30 car drive from Porto.

Legend has it that one night a host of Moors surrounded the fortress of Sortelha to recover that strategic point. In the castle were the warden, who resisted with his men in arms, the warden’s wife, who they claimed was a sorceress, as well as his daughter, a beautiful maiden, who wanted nothing to do with spells or wars.

The siege had lasted a long time, and the girl was killing time by the walls of the fortress. In her room she only had the company of a cat. To entertain herself, she went to the walls and from there she could see the Moors.

 

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If these walls could talk…

 

One day, a certain knight called her attention. He was the young commander of the Moorish troops. A young warrior of noble bearing, haughty and handsome.
“How handsome!” She thought, following him with her eyes. He also saw her and the beauty of the young Christian captured the attention of the Moorish warrior.
“How beautiful!” He thought, trying to see her better between the walls.

 

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I have no idea how they managed to see each other from this distance.

 

From that moment, neither one nor the other could stop thinking about meeting, even if it were only once in their life. The Moor managed to have some of his men send baskets to the top of the walls with messages and gifts for the beautiful girl. And in turn, she sent gifts so that he knew that his feelings were reciprocated.

In the desperation to meet the maiden, the Moorish warrior developed a plan: he promised freedom to a Christian prisoner, giving him a purse full of gold coins, with the following condition: “You will speak alone with the maiden and open the doors for her”. The ex-hostage did it, and she, taking advantage of the darkness, left the castle.

 

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The distressed damsel scaped through this door.

 

But the girl’s mother realized something was happening and looking for her daughter, she saw that the lovers were kissing by the walls. Taken with anger, she cast a spell: “Damn! I curse you and turn you into stone! ”

So the two, as they were embraced, lips with lips, were petrified. And thus they remained, forever, in an eternal kiss under the moonlight of the walls of Sortelha.

Starting from the theme romanticism, the traditions of dating and marriage will be revisited in the form of staged visits and photographic exhibition.

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In addition, there will be community meals (Friday dinner and Saturday picnic) and guided tours whose participation is subject to mandatory pre-registration by telephone: 271 750 080 (Museu do Sabugal) or email: visit @ cm-sabugal .pt. Limited to the number of vacancies.

This event is promoted by the Tourism Development Association Historical Villages of Portugal, in an organisation of the Municipality of Sabugal, Town Council of Sortelha, Associations and local economic agents.

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Programm

Conquista: na história, no amor e no vinho.

Adoro história, mas essa me chama mais a atenção que a anterior porque é menos trágica, embora não menos triste

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Em 711, os muçulmanos (mouros ou árabes) cruzaram o Estreito de Gibraltar e invadiram a Península Ibérica onde permaneceram até 1942. Falando em mouros, a gente pensa logo em seguidores do Islã, isto se deve ao fato de terem sido estes povos árabe-berberes, não cristãos oriundos principalmente da região do Saara ocidental e da Mauritânia que ocuparam os territórios da Península Ibérica.

Embora cientificamente mais adiantados, os árabes não desprezaram os conhecimentos obtidos com os habitantes da península. Tais conhecimentos foram utilizados nas escolas e observatórios que criaram e também deram a eles a sua própria contribuição. Assim, surgiu uma cultura riquíssima e uma ciência que não só produziu obras muito importantes, como também foi aproveitada na prática.

As grandes navegações, ou seja, o descobrimento de nosso país, por exemplo, devem muito a instrumentos como o quadrante e o sextante, desenvolvidos pelos muçulmanos, assim como aos mapas e às descrições feitas por eles. Este legado pode ser encontrado em várias áreas diferentes do saber, desde palavras iniciadas em ‘al’ como Algarve e álcool, até na arquitetura.

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Na tradição oral portuguesa, os mouros são protagonistas de narrativas associadas a cultos pré-cristãos, muitas vezes pré-históricos. Em geral, as lendas das mouras encantadas (assassinadas) que guardam tesouros, andam associadas a montes, florestas, rochedos, monumentos pré-históricos ou fontes e revelam restos de tradições muito antigas.

Mas, claro, nem tudo era harmonia, e as nações ocupadas por quase setecentos anos lutaram bravamente para expulsar os invasores – a Guerra da Reconquista, também chamada de “Cruzadas Ocidentais”.

O rei Afonso III de Portugal teve papel protagonista nas Cruzadas e na reconquista do Algarve, então ainda quase totalmente dominado pelos mouros. E a seu lado, fiel e amigo, cavalgava sempre D. João Peres de Aboim. E é dele que a gente quer falar hoje.

Lutavam para retomar a cidade de Faro, nesse tempo chamada Harume (rei mouro) pelos mouros e durante uma patrulha, D. João encontrou uma garota que pediu para falar com o rei, dizendo que estava temerosa da ferocidade dos guerreiros portugueses e que queria pedir clemência para seu povo.

Esse foi o primeiro encontro entre D. João Peres de Aboim e a linda princesa moura Alandra, filha do príncipe de Harume. Na realidade já estavam trocando olhares fazia tempo  e o coração de D. João andava cheio com a imagem da bela princesa que muitas vezes encontrava nos seus caminhos. Mas agora era a primeira vez que a tinha perto de si.

Ele aproveitou para conversar com ela em sua tenda de campanha. Ela disse que viu em seus olhos que algo ele sentia por ela e que aproveitava para procurá-lo para pedir pela vida das mulheres e das crianças de Harume… nem que para isso tivesse que sacrificar sua honra!

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D. João disse que a retomada seria pacífica, que ela não tinha que sacrificar nada e que não seria por essa batalha que o  Algarve ficaria para sempre cheio de mouras encantadas. Mas que ele estava encantado por ter Alandra em frente de si.

Neste dia, entregou sua alma à bela Alandra , fazendo-lhe uma promessa de que não a perseguiria se quisesse fugir, mas se ela achasse que ele falava a verdade, então que ficasse em seus braços. E conforme reza a lenda antiga — Alandra ficou!

As condições eram honrosas para os vencidos. E os vencedores, acima de tudo, respeitaram integralmente a vida das mulheres e das crianças, conforme promessa feita por D. João Peres de Aboim à bela princesa Alandra.

D. Afonso III ficou tão satisfeito durante a retomada pacífica de Faro que se deitou sob um arco. E o descanso, foi tão perfeito, tão bom, tão completo, que o arco se chama o Arco do Repouso!

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Mas e Alandra? Fugiu, desapareceu misteriosamente deixou apenas um pequeno ramo de flores… Flores rubras como o sangue e belas como o desejo… Para D. João Peres de Aboim, ela era a própria temperança, o amor e a saudade das coisas que duram por muito e muito tempo.

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E logo, imerso em dor, mas num impulso de imaginação, D. João Peres pediu permissão ao rei para chamar alandras a estas flores de amor e saudade… mais tarde se transformou em aloandras, e depois em aloendros — ou apenas loendros, seu nome atual…

Estas flores silvestres inspiraram a elaboração do vinho português Esporão Alandra, tanto o tinto como branco. Esse rótulo é uma homenagem às flores que todos os anos florescem em memória de um amor eterno, com ótima relação custo / qualidade, produzido pela Herdade do Esporão, indiscutivelmente a mais famosa vinícola do Alentejo, em Portugal. A Herdade teve os seus limites fixados na região no ano de 1267 por D. João Peres de Aboim, seu primeiro proprietário. Ótimo custo qualidade. Aproveite neste dia dos namorados.

E como diz um antigo brinde inglês, ao contrário do amor de D. João Peres: que nosso amor seja como vinho de boa qualidade: melhor a cada dia que passa.

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